terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Da dialética da apoteose e da derrisão

Desde o início, temos usado os termos grotesco e sublime para designar parte da nossa pesquisa. Mas há algum tempo percebemos que não era bem por aí, ou pelo menos não só isto. Recentemente, nos deparamos com a dialética da apoteose e da derrisão proposta e pesquisada por Grotowski no início da sua carreira. Acho que encontramos aí algo bem próximo das nossas questões:

"O cerimonial teatral é uma espécie de provocação. Uma provocação que tem a finalidade de atacar o inconsciente coletivo. Daí deriva o atuar com os opostos: expor coisas sublimes de modo bufonesco e, ao contrário, coisas vulgares de modo elevado (...). Daí o tom sagrado que oscila na fronteira entre seriedade e paródia: o achado preferido de Grotowski é a introdução de alusões litúrgicas no modo de falar e no gesto. E o tom blasfemo. A brincadeira perversa com as coisas sacras, o incessante cortejo de valores comuns e de convenções colocado em movimento circular em torno do eixo que tem por nome: inquietude ligada a visão de mundo. Eviscerado das suas imagens habituais, que o espectador perceba a relatividade e a bizarria dele. E o fato que - malgrado aquela relatividade e aquela bizarria - está condenado a elas" (L. Flaszen citador por Grotowski. O Teatro Laboratório de Jerzy Grotowski. São Paulo: Perspectiva/Edições SESC SP, 2010).

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