terça-feira, 14 de outubro de 2008

Nós vemos o passado. A velocidade da luz não é infinita. Para uma pessoa ver alguma coisa, é necessário que a luz reflita no objeto até chegar aos seus olhos. Mesmo quando vemos objetos que têm luz própria, vemos sua emissão de milésimos de segundos no passado. No caso de estrelas, este segundo se transforma em minutos, horas, dias, meses e anos. Milhares de anos, quando estes objetos são galáxias. Nós sempre vemos o passado, quanto mais longe o objeto, mais tempo demora para a luz atingir o nossos olhos. Se o sol se apagar, viveremos 8 minutos de ignorância, seguindo nossas vidas sem preocupação, até que toda terra se escureça. Sempre que olhamos o sol, olhamos o passado, sendo o mesmo valido quando olhamos a noite. Alias, o sol é o principal motivo para que enxerguemos na faixa visível do espectro. Não é coincidência o máximo de emissão do sol ocorrer nos mesmos comprimentos de onda em que são capazes de detectar os olhos de todos os seres vivos da terra. Mesmo que nenhum bicho tenha visão igual a nenhum bicho, nem mesmo um ser humano tem visão igual a um ser humano. O que temos de parecido é o tempo em que a imagem permanece fixa em nossa retina. Graças a esse fenômeno que existem os filmes, os desenhos e a mágicas, que brincam com a sucessão de movimentos que conseguimos ou não enxergar. Assim como o ventilador girando na mesma freqüência do piscar de uma luz parece parado, uma sucessão de imagens paradas cria um movimento perfeito, se considerando o intervalo em que a imagem fica fixa em nossa retina. O fato, que não vemos só com olhos. O fato, é que vemos sempre o passado, até quando não usamos os olhos. A quem não crê nessa informação, não afobe, não há problema, afinal o tempo é relativo, assim como é relativa a visão de cada olho.

Pedro Paulo Beaklini

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