quarta-feira, 17 de junho de 2009

O que eu procuro? O Aleph. O Zahir. O Santo Daime. Tento aprender com os antigos ensinamentos passados oralmente das culturas do leste. Sempre tive a impressão que lá vêem a origem da luz porque é para lá que ela caminha. Por essa constatação é que visto o branco puro. Mas venho do oeste onde não há leis e todos querem governar. Todas as vezes em que desejei abandonar o peso que carrego, fui consumida pelo ciúme ao ver que os outros se apoderavam dele. Fui percebendo que não adianta jogar ao mar pois alguns dedicam toda sua existência a habitar o meio do nada a procura de descartados em condições de uso. E elas sempre estão lá, as condições, o terreno propício. Então aquele que optou pela leveza começa a sentir o pesar do frio. Talvez o ar fresco arda nas peles que desenvolveram suas próprias alergias no decorrer da vida. Talvez sejam justamente essas peles que tanto anseiam por ele. Quanto mais se ignora as coceiras e o frio, mais vergões criam-se. É se tomado pela cólera por ter-se despido. Procuram-se então novos bens. Sai-se em busca de tecidos finos. Tenho certeza que esta empreitada me desvia a atenção de minha principal, mas nem aguardar nem persistir tem funcionado. Conto com o acaso. Sonho que viro a esquina e me deparo com a luz que vem em minha direção. Ela passa abruptamente por meu corpo, expande os poros e então sei vai. Eu não me preocupo. Agora conheço sua origem e sentido. Posso criá-la.

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