terça-feira, 7 de julho de 2009

CENA III - SOBRE PARABRISAS DE CARROS

Uma pessoa que não entra, nunca entrou, está lá, sempre esteve, todos os dias, chuva. Sol. Chuva. Chuva. Pára e senta. Antes disso percebe um tapa ouvidos sobre o banco, esses em que não se escuta nada. Encaixa em seus ouvidos. Ele senta. Aumenta o volume como se o tapa ouvidos fosse um fone. Nele se escuta algo. Algo. Algo. Algo. Algo. Algo. Algo que se transforma. Algo. Aglo. Alog. Agol. Aglo. O que era antes um barulho de um relógio agora se notas minimalistas pacientemente apreciadas. Algo se transforma em canção. Algo se transforma em prosa musicada. Tudo então é música. Algo se transforma em poesia musicada. Algo. O fone, neste momento, serve como um pára-brisa.

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